quarta-feira, 6 de junho de 2018

3 formas práticas de enriquecer a harmonia de músicas simples

Olá! Hoje abordaremos sugestões de como rearmonizar as progressões das suas músicas, utilizando alguns recursos interessantes. Isso faz a música ganhar cor e te tira da zona de conforto de tocar sempre os mesmos acordes. Além disso, você vai manipular ferramentas que fazem o seu ouvido ficar muito mais aberto, e ganhar percepção.

Pense naquelas músicas simples, de apenas 3 acordes que você está cansado de tocar. São elas que você vai trabalhar para trazer uma cara diferente, dependendo sempre do seu gosto, é claro. Experimente todas essas possibilidades, você vai gostar.

1- Utilize inversões

Uma possibilidade que torna uma progressão de tríades mais interessante, é a inversão dos acordes. Veja:

Original: || C G | F G | Dm Em | F G | C ||

Com acordes invertidos: || C G/B | F/A G | Dm/F Em | F G | C ||

Note que, na segunda progressão acima, o baixo caminha por graus conjuntos descendentes nos três primeiros compassos. Toque as progressões e perceba a sua sonoridade.

2- Baixo ostinato

Outra variação que podemos fazer, se a música permitir, é o ostinato do baixo. Isso quer dizer, manter o mesmo baixo sempre, independente do acorde. Nesses casos, costuma-se usar a tônica. Veja o exemplo em Dó:

|| C G/C | F/C G/C | Dm/C Em/C | F/C G/C | C ||

Isso torna a harmonia bem interessante, perceba.

Pesquise músicas e analise como os arranjadores fazem isso, assim você entenderá melhor e acrescentará esses recursos ao seu repertório, lembrando que, sempre precisamos ficar atentos e ouvir se tudo flui bem, com a melodia, ritmo, etc.

3- Substituição de acordes
Vamos ver agora como podemos substituir os acordes de maneira a evitar dissonâncias.
Para entender melhor, verifiquemos as funções dos acordes no campo harmônico de Dó maior:

C- T
Dm- S
Em- T
F- S
G- D
Am- T
Bdim- D

Legenda:
T= tônica
S= subdominante
D= dominante

Ao substituir um acorde, precisamos utilizar outro com a mesma função.

Ex

|| C | C | F | G | C||

Substituindo

|| C | Am | Dm | G | C ||

Nesta progressão, substituímos no segundo compasso, o acorde C pelo acorde Am, ambos de função tônica em do maior. E no terceiro compasso, substituímos o acorde F pelo acorde Dm, ambos de função subdominante.

Espero que tenha gostado desta postagem, se tiver dúvidas, pode entrar em contato comigo por email. Visite nossos vídeos no youtube e se increva lá também.

Análise melódica de "So what" para improvisadores


Esse é um questionário que foi proposto num curso de construções melódicas e improvisação. Coloco aqui para quem tem curiosidade no assunto e também para quem se interessa por improvisação. Qualquer dúvida, entrar em contato!

Música "So What"

Assista o vídeo indicado e anote neste arquivo aqui, o minuto e segundo em que aparecem ao menos um de cada elemento musical a seguir descrito:
1. Frase construída com determinada lógica de progressão de intervalos ou arpejos
R: Frase a partir de 00:13.
2. Frase com intenção de pergunta e que em seguida é respondida com a repetição da pergunta complementada com a resposta.
R: Frase a partir do 00:33.
3. Frase que retoma a intenção de outras frases tocadas anteriormente em no início da música.
R: Frase a partir de 03:20.
4. Frase que é construída com a repetição de notas em que o ritmo é o foco principal para exprimir a coesão musical.
R: Frase 06:23.
5. Depois de ter localizado os itens acima, localize duas frases que exprimem para você intenções distintas e explique tais intenções. Como por exemplo,  uma frase empolgante e outra melancólica, uma frase nervosa e outra calma etc…
R: Frase a partir de 03:39, é uma frase agitada. Frase 01:45 é uma frase tranquila.
6. Construa um pequeno texto de aproximadamente 5 linhas abordando suas impressões pessoais sobre as improvisações realizadas nesta música.
R: As improvisações variam evidentemente de acordo com cada instrumentista. O primeiro, utiliza muito dos motivos do tema, desenvolvendo toda sua improvisação assim, utiliza muitas notas longas e arpejos. O segundo improvisador utiliza muitas notas curtas, semicolcheias e tercinas e faz pausas, evitando sustentar as notas. Faz frases pergunta-resposta passando por todas as notas da escala. O terceiro improvisador também utiliza notas curtas, mas de vez em quando utiliza semínimas, começando suas frases sempre nos tempos fracos, remetendo também ao tema. O piano utiliza predominantemente de colcheias, acordes e faz pausas. A música é muito bem trabalhada pelos improvisadores, que mesclam seus estilos, combinando com o tema.

Como fazer escalas no violão e na guitarra sem precisar decorar desenhos

Olá!
Hoje quero mostrar a vocês como montar uma escala no violão ou na guitarra sem decoreba ou memorização de desenhos. O importante aqui é conhecer mais sobre o seu instrumento para entender como funciona e assim saber montar todos as escalas que precisar. Além disso, facilitará sua leitura de partitura, sabendo onde encontra as notas.
Para começar, retomando um pouco sobre tom e semitom. O semitom, ou meio tom, é o menor intervalo utilizado na escala diatônica. O tom é a junção de dois semitons.
A escala maior ou de dó possui a seguinte estrutura:

        TOM       TOM  SEMITOM  TOM      TOM      TOM   SEMITOM
O que devemos entender aqui é que da nota mi para a nota fá temos um semitom e da nota si para a nota dó também. Numeraremos a escala de dó em graus:
I      II   III   IV   V     VI  VII  VIII
DÓ  RÉ  MI   FÁ  SOL  LÁ  SI   DÓ

Ou seja, do III para o IV grau temos o intervalo de semitom, como também observamos do VII para o VIII grau. Entre todos os outros graus, encontraremos tons.
Passando para o instrumento, começaremos com a escala de dó não necessariamente partindo desta nota, mas da nota mais grave que é possível partir, ou seja, da nota mi (6ª corda solta).
Na guitarra ou no violão, o semitom é simplesmente você tocar uma casa e, em seguida, a sua casa vizinha. Ou seja, toque a 1ª casa e para achar um semitom, toque a 2ª casa. Para achar um tom, ande mais uma casa, ou seja, pule a segunda casa, toque a 1ª casa e depois, a 3ª.

Devemos adquirir uma certa fluência na ordem das notas da escala, partindo das outras notas além do dó. Verifique abaixo:
RÉ MI FÁ SOL LÁ SI DÓ RÉ
MI FÁ SOL LÁ SI DÓ RÉ MI
FÁ SOL LÁ SI DO RÉ MI FÁ
SOL LÁ SI DÓ RÉ MI FÁ SOL
LÁ SI DÓ RÉ MI FÁ SOL LÁ
SI DÓ RÉ MI FÁ SOL LÁ SI

Adquira também fluência na ordem inversa das notas:
DÓ SI LÁ SOL FÁ MI RÉ DÓ
SI LÁ SOL FÁ MI RÉ DÓ SI
LÁ SOL FÁ MI RÉ DÓ SI LÁ
SOL FÁ MI RÉ DÓ SI LÁ SOL
FÁ MI RÉ DÓ SI LÁ SOL FÁ
MI RÉ DO SI LÁ SOL FÁ MI
RÉ DÓ SI LÁ SOL FÁ MI RÉ

Agora, podemos seguir com a montagem da escala no violão ou guitarra. Mas, UTILIZAREMOS APENAS AS NOTAS ENCONTRADAS NAS 3 PRIMEIRAS CASAS, OU SEJA, 1ª POSIÇÃO.
Partindo da nota MI, 6ª corda solta, precisamos encontrar a próxima nota da escala. Já que memorizamos a ordem das notas conforme a tabela acima, sabemos que será a nota FÁ. Será alguma casa apertada, já que não há nenhuma corda solta que tenha esse nome. Consultaremos então a tabela de tom e semitons: da nota MI para a nota FÁ temos um semitom e da nota SI para a DÓ também. Então para encontrar a nota FÁ, basta andar uma casa, que representa o semitom no instrumento. Isso pode gerar dúvidas, já que não estamos apertando nenhuma casa. Mas, basta apertar a primeira casa da 6ª corda. OK.
Próximo passo: Qual é a próxima nota a ser encontrada, lembrando da ordem das notas? Após a nota FÁ, teremos a nota SOL na sequência da escala. Voltando à tabela: da nota MI para a nota FÁ temos um semitom e da nota SI para a DÓ também. Então, da nota FÁ para o SOL só pode ter tom, pois as únicas notas que possuem semitom entre elas são aquelas. Apertando a nota FÁ, que fica na 1ª casa, encontraremos a nota SOL andando DUAS CASAS, ou pulando uma. Pularemos a casa 2. A nota SOL se encontra na 3ª casa da 6ª corda.
Para prosseguir, precisamos utilizar a próxima corda, já que a ideia aqui é começar estudando a 1ª posição, que se encontra nas 3 primeiras casas. E precisamos achar a nota LÁ, que corresponde à sequência.
Percebemos que a própria 5ª corda solta é a nota LÁ, que dá continuidade à nossa escala.
Agora é a sua vez! Dê prosseguimento à escala de dó, utilizando apenas as 3 primeiras casas! Após chegar saté a 1ª corda, 3ª casa, faça a volta da escala até a 6ª corda solta.
Dicas:

  • Pense sempre na ordem das notas na escala, para saber a próxima nota a ser encontrada
  • Em seguida, pense se entre a nota que você está apertando e a próxima, há tom ou semitom, portanto, memorize bem a estrutura da escala para saber.
  • Utilize as cordas soltas sempre que possível.
Cheque as respostas aqui.

Dúvidas? Basta entrar em contato por e-mail ou comentário! Bons estudos!

Como classificar os intervalos

Hoje conheceremos um pouco sobre os intervalos.
O intervalo é a diferença de altura entre dois sons. O intervalo pode ser melódico, ou seja, formado por notas sucessivas (uma após a outra), e harmônico, formado por notas simultâneas (soando ao mesmo tempo).

No caso de intervalos melódicos, também encontramos a diferença de intervalos ascendentes (quando a primeira nota dos dois sons é a mais grave) ou descendentes (quando a primeira nota dos dois sons é a mais aguda).

O intervalo também pode ser conjunto (formado por notas consecutivas, uma nota e sua vizinha) ou disjunto (formado por notas não consecutivas, com distância de uma nota ou mais entre elas).
Intervalo conjunto:

Intervalo disjunto:

Como você pode perceber, as notas pequenas pretas representam as notas que separam esse intervalo, o que o torna disjunto.
Além disso, pode ser simples (quando a distância entre as duas notas não ultrapassa uma oitava) ou composto (quando a distância entre as duas notas ultrapassa uma oitava).
Intervalo melódico simples:

Intervalos harmônicos compostos:


Então, temos 4 análises a serem feitas do intervalo: se ele é melódico ou harmônico (notas sucessivas ou consecutivas); ascendentes ou descendentes (determinado pela altura da primeira nota, se estiver subindo é ascendente, se estiver descendo é descendente), lembrando que só serve esta análise para intervalos melódicos; se é conjunto ou disjunto (formado por notas consecutivas ou não consecutivas); e se ele é simples ou composto (formado por notas dentro de uma oitava ou além de uma oitava).

Exemplos:
O intervalo abaixo é melódico, ascendente, disjunto e simples.

O intervalo abaixo é harmônico, disjunto e simples.

Agora, pegue o seu caderno pautado e crie intervalos para analisar! Após ficar bem firme, você pode experimentar em músicas. Comece com as mais simples.
Exercício:
Analise os intervalos circulados da música abaixo, desconsiderando notas repetidas e os acidentes.

Para conferir as respostas, clique no link abaixo:
Respostas

Conceitos de harmonia tradicional para melhorar sua leitura e percepção

Olá! Nesta postagem vou introduzir alguns conceitos de harmonia tradicional. Vamos relembrar um pouco sobre as funções dos acordes, para mais detalhes, dê uma olhada em umas das postagens abaixo, que fala sobre isso.
Partindo da tonalidade, teremos as funções de tônica(repouso), subdominante(movimento) e dominante(tensão) que se relacionam por quintas justas ascendentes ou descendentes. Esses acordes principais serão maiores nas tonalidades maiores e menores nas tonalidades menores. Porém, o acorde dominante sempre será maior. A tônica é representada pelo grau I da tonalidade, a subdominante pelo grau IV e a dominante pelo grau V.
Ex:
Campo harmônico maior de dó em tríades:
I  II    III  IV V VI  VII
C Dm Em F  G Am Bº

Podemos observar facilmente a relação de quartas e quintas justas ascendentes ou descendentes.
I para IV grau- quarta justa ascendente ou quinta justa descendente
IV para I grau- quinta justa ascendente ou quarta justa descendente
I para V grau- quinta justa ascendente ou quarta justa descendente
V para I grau- quinta justa descendente ou quarta justa ascendente

Analisando as notas destes três acordes de I grau(tônica), de IV grau(subdominante) e de V grau(dominante) verificamos que os três já contém todas as notas da escala ou tonalidade.

C- Tônica
I grau- acorde de dó maior
 Ré  Mi  Fá  Sol Lá Si  

F- Subdominante
IV grau- acorde de fá maior
Dó  Ré  Mi   Sol Si

G- Dominante
V grau- acorde de sol maior
Dó  Ré  Mi  Fá  Sol  Lá  Si  Dó  

A grande característica do acorde de Dominante é ter a nota sensível da tonalidade, que pede resolução na Tônica.

Para fazer uma análise utilizando a harmonia tradicional, você utilizará a cifragem I para quando encontrar o acorde de dó, IV para quando encontrar o acorde de fá e V para quando encontrar o acorde de sol. Comece praticando apenas com a tonalidade de dó, até adquirir fluência na análise. Começaremos com apenas estes graus I, IV e V, mas nas músicas é óbvio que terão muito mais acordes, basta ignorá-los então.
Dicas para a análise:

  • Estude muito bem a visualização dos acordes na pauta. Ex: Dó maior possui notas dó, mi e sol, mas elas podem não estar nesta ordem. No grau I, pode aparecer o dó, o sol e depois o mi, etc. Cuidado apenas com o baixo do acorde, ele deverá ser sempre a nota dó para grau I, nota fá para grau IV e nota sol para grau V, a princípio, pois não estamos estudando com inversões.
  • Visualize o baixo do acorde e tende construir a tríade correspondente, caso não dê certo, é porque não é o acorde.
  • Podem ser que aconteça de você conseguir construir o acorde, mas mesmo assim tenha uma nota estranha entre as outras do acorde. Não se preocupe, esta nota será chamada de nota estranha mesmo, mas ela não interfere na análise do acorde.
  • Não é necessário repetir a análise caso o acorde se repita.
  • É possível que se omitam notas do acorde, mas nunca a tônica.

Exercício 1:
Faça a análise dos graus I, IV e V nesta peça para violão, marcando os graus abaixo do acorde na partitura.


Verifique a correção da análise, cliquando aqui.


Exercício 2:
Faça a análise dos graus I, IV e V nesta peça para piano, marcando os graus abaixo do acorde na partitura.
Para ver a correção desta análise:


Qualquer dúvida, deixe seu comentário!
Visite nosso canal no youtube.


Saiba como interpretar uma partitura de guitarra

Hoje vamos começar a estudar a interpretação de partituras, para quem já toca e quer saber como ler e tocar uma música que está transcrita.

Vou usar desta vez o exemplo da música Detroit Rock City do Kiss(Clique para ampliar)
Detroit

O primeiro a que nos deparamos ao ver essa partitura, são os acordes. Temos a cifra e o diagrama onde cada acorde é bem especificado, ou seja, a posição de acorde que encontramos aí foi a preferida para esta música; se você quiser tocar exatamente como ela foi transcrita, utilize as formas de acordes que encontramos aí, ou na partitura  que você possui e deseja executar. No caso desta música temos a predominância dos powerchords e de algumas tríades simples.
Logo, encontramos a palavra Intro, que logo deduzimos ser introdução. É importante prestar atenção nesse detalhe, pois nessas partituras sempre há a indicação das partes da música, o que facilita a nossa análise e por consequencia, ajuda-nos a memorizar a música com mais facilidade.
Abaixo, encontramos Fast Rock, que é o ritmo em que a música se encontra e semínima= 184, ou seja, o andamento da música, que é bem rápido, 184 pulsos por minuto.
Triplet feel é uma forma de escrita simplificada, utilizamos colcheias ao invés das tercinas para a escrita ficar mais simples, mas elas soarão como tercinas, ou seja, subdivisão ternária. Ao ouvir a introdução da música, repare que a subdivisão claramente não é binária como na maioria das músicas do estilo.
Assista também a este vídeo, onde ouvimos riffs velozes em subdivisão ternária. Isso é o triplet feel.
Triplet feel

As siglas N.C significam nada mais que "no chord", não há acorde nesse trecho, apesar da sugestão entre parêntes de C#m.
Enfim, verificamos a transcrição de duas guitarras, que podemos facilmente identificar pela ligação entre os sistemas.


Outro detalhe que aparece bastante nessa música é a sustentação dos powerchords de um compasso para outro, quando isso acontece mudando de uma página à outra, o acorde é escrito entre parênteses na tablatura, sem necessidade de rearticular.

Na sequência, temos a primeira parte e o ritmo 1, que será tocado pelas duas guitarras. Nessa parte temos a ausência da tablatura, que antes acompanhava a partitura. Temos o ritmo que deverá ser tocado pelos powerchords acima da melodia da voz.

Procure tirar algumas músicas com partituras de guitarra, e se acostume aos poucos. Se tiver alguma dúvida sobre algum símbolo em alguma partitura que encontrou, comente aqui, que responderemos o mais breve possível e se necessário, fazemos um post especial.

Bons estudos!

Funções dos acordes no campo harmônico

Dentro do campo harmônico, cada acorde possui uma função característica que traz movimento e dinâmica à música. São três funções que existem: TônicaSubdominante  e Dominante. Os acordes de função de Tônica trazem sensação de repouso; os de Subdominante movimento; e os de Dominante tensão. Veja o exemplo de progressão abaixo, que está na tonalidade de Do maior:

 I    IV  V7    I
C    F   G7    C


Os acordes do I, IV e V são os principais da tonalidade, e caracterizam facilmente o tom, não necessitando dos outros. Isso porque são, na ordem, os que caracterizam as funções de Tônica, Subdominante e Dominante. O acorde de Dominante precisa da sétima para ser melhor caracterizado, pois com ela se forma o trítono, intervalo altamente tenso, que se resolve no acorde de Tônica.


Os acordes da região de tônica são:
-I, III e VI
Os da área de subdominante são:
-II e IV
E os da área de Dominante:
-V e VII

Os graus do campo harmônico maior em tríades são equivalentes aos em tetrades no quesito função. Então, para função Tônica podemos usar tanto I7M quanto I.
Exemplo de como usar os acordes de cada área para colorir a progressão dada anteriormente:
C7M Am7- F7M Dm7- G7 - C7M

É claro que, para se conseguir um bom resultado, deve-se respeitar os tempos dos acordes ao fazer substituições ou acrescentar acordes à progressão. 

Para exercitar, procure sempre analisar os acordes das músicas que você toca, pensando nos graus e funções dos acordes. Veja o trecho de "Só hoje":

 E                 F#m               B
Hoje preciso de você com qualquer humor
                 E
Com qualquer sorriso
 E              F#m                   B      Am
Hoje só tua presença vai me deixar feliz, só hoje

E= I
F#m= II
B= V
Am= IV

Tente substituir alguns acordes deste trecho e veja o resultado. Abra os ouvidos e perceba do que você gosta mais. Bons estudos!



Como ler notas na partitura para violão e guitarra

 Hoje aprenderemos um pouco sobre a leitura de notas na partitura de violão e guitarra. Abaixo, temos a pauta, que é composta de 5 linhas e 4 espaços. Contamos as linhas e espaços de baixo para cima.

Vemos que para fazer uma leitura alternamos linhas e espaços. Temos, na sequência: 1ª linha, 1º espaço, 2ª linha, 2º espaço, 3ª linha, 3º espaço, etc. É assim que vamos inserir as notas na pauta. Por enquanto, começaremos com a clave de sol, que é a utilizada para leituras na guitarra e no violão.

A primeira nota que aprendemos a ler é a nota mi e localiza-se no 4º espaço da pauta. Encontre-a acima. Esta nota é simplesmente a 1ª corda do violão solta.
A próxima nota será a nota fá. Ela se encontra na 5ª linha da pauta. Como observamos na figura acima, a nota fá será na 1ª corda apertando-se a 1ª casa.
A terceira e última nota desta nossa primeira etapa é a nota sol, que ficará acima da 5ª linha. Para encontrá-la no violão, basta apertar na 1ª corda, a 3ª casa.
Ou seja, nesta lição estudaremos apenas as notas na 1ª corda do violão ou guitarra (já que os dois instrumentos possuem mesma leitura)
1º exercício


Para iniciar sua leitura, estude primeiro falando o nome das notas, na sequência que você as encontra. Essa figura redonda que você vê em cada nota é a semibreve e isso significa que a nota vai se estender por 4 tempos. Ou seja, você vai falar: mi i  i  i, sem fazer pausa até que termine os 4 tempos.
                                                1 2 3 4
Após se acostumar com a visualização das notas na pauta, você precisa estudar a localização destas notas no braço do violão. Faça a leitura, dizendo o nome da nota e tocando no instrumento, bem devagar. Após estudar desta forma algumas vezes logo você terá facilidade para fazer a leitura.
2º exercício


Nesse segundo exercício, encontramos mais algumas dificuldades. Estudaremos a mínima, figura que dura 2 tempos. Você vai estudar da mesma forma, lendo as notas em voz alta, e contando 2 tempos com os dedos. Após se acostumar com as notas e seus tempos, vá até o violão ou a guitarra e toque a sequência lentamente.

Dicas para adquirir fluência na leitura:

  • Faça sempre a leitura em voz alta, contando os tempos com os dedos, antes de passar para o instrumento
  • Estude lentamente até assimilar bem
  • No seu caderno pautado, crie exercícios utilizando semibreves e mínimas
  • Estude as notas no violão sem a partitura também, falando o nome em voz alta. Se quiser, você também pode cantá-las com o seu instrumento, assim você também estará treinando o ouvido.
  • Estude bem estas 3 notas até não ter dúvidas quanto a tempos, localização no braço, localização na pauta.

Bons estudos!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Como improvisar e criar solos com os modos maiores


Improvisar e solar bem requer algumas técnicas simples porém valiosas, para que as melodias sejam interessantes e que não se caia no excesso de técnica. Um dos erros maiores na etapa do estudo do improviso é exagerar nas frases rápidas e tocar notas dentro da escala sem nenhum propósito.

Se você já se deparou com dificuldades na hora de criar seus solos ou improviso, saiba que é natural quando não entendemos ainda como as melodias são construídas e mesmo quando tampouco temos ideia de como usar as escalas e modos a favor.

Algo que me intrigava no começo dos estudos de improviso era o fato de que todos os modos derivavam de uma única escala. Se era assim, que diferença isso tudo faria, se os desenhos das escalas poderiam se confundir?

Estudando mais a fundo, entendi que o jeito certo de improvisar com os modos é fazê-los mostrar suas características. Isso me trouxe muita liberdade, pois para cada acorde do campo harmônico, haveriam várias possibilidades e sobreposições de harmonias interessantes.

Vamos entender agora como utilizar os modos maiores para criar solos e improvisos muito mais melódicos.

Para começar, gostaria de revisar alguns conceitos sobre criação de frases, para que seja mais fácil a aplicação.

Um dos pontos-chave para criar boas melodias, é simplesmente cantá-las. Se você canta um trecho, é muito mais fácil de entender o desenho melódico e o sentido da frase. Muitas vezes pecamos por exagerar nas notas da escala e arpejos, e vemos que a melodia fica confusa e sem início ou fim. Procure utilizar como base as escalas e arpejos, mas crie suas melodias com a própria voz.

Com esse hábito de cantar a melodia já fica muito mais fácil criar bons solos. Mas se você uma ferramenta a mais, vamos à ela.

Você conseguirá conectar melhor as frases utilizando motivos melódicos. Os motivos melódicos nada mais são que utilizar raciocínio semelhante na construção das frases. Isso quer dizer, por exemplo, utilizar mesmo grupo de figuras rítmicas. Você pode perceber isso com muita facilidade na sinfonia 5 de Beethoven, que usa aquele ritmo padrão em toda a música. Se quiser, pare para ouvir um pouco e perceba o ritmo, que até hoje é considerado como caráter de "suspense".

Beethoven repete aquele motivo rítmico por muitas e muitas vezes, o que facilita muito a coesão.

Outra possibilidade associada aos motivos melódicos é o uso de fragmentos de melodia que se assemelhem. Por exemplo, utilizar uma melodia descendente diversas vezes. Ou então, saltos de terças. Você pode criar uma melodia com saltos de terças a partir de determinada nota e repetir a mesma ideia, começando por outra nota.

Esses detalhes ajudam muito na hora de criar solos ou improvisar, pois o ouvinte vai entender melhor a ideia que as melodias estão passando. Tudo combina muito mais.

Vamos seguir agora com as características dos modos maiores.

O modo jônio é simplesmente a escala maior. Ele servirá como base para os outros modos maiores. Por conseguinte, não há nota característica.

Esse modo soará muito natural numa base harmônica maior. Veja a estrutura abaixo:

F     2     3     4     5     6     7

Do  Re  Mi   Fa   Sol  Lá    Si

F= fundamental

(Não confundir com a leitura de cifras, ex: 7M, m7, etc)

Para caracteriza-lo, procure utilizar com frequência as notas do arpejo maior correspondente, e como notas de passagem, as outras notas da escala.

O modo lídio é o modo correspondente ao IV grau do campo harmônico maior. Se compararmos a estrutura da escala, ele terá 1 nota diferente em relação ao modo jônio.

F     2     3     #4     5     6     7

Do  Re  Mi    Fa#  Sol  Lá    Si

Isso significa que esta será a nota característica do modo. Ou seja, ao improvisar com intenção lídio, utilize esta nota frequentemente, junto ao arpejo correspondente ao modo. Lembre-se sempre de usar os conceitos de construção de melodia mencionados acima, para que os solos ganhem mais força.

Já o modo mixolidio, um dos mais utilizados, também difere da escala maior em apenas 1 nota, que será a característica do modo.

F     2     3     4     5     6    b7

Do  Re  Mi   Fa   Sol  Lá    Sib

Esse modo você também poderá utilizar com muita frequência a nota característica junto ao seu arpejo correspondente. Mas aqui, você pode ainda mesclar com a pentatônica e pentablues, que funcionam muito bem no modo.

O principal aqui é criar a sonoridade do modo.

Para perceber mais a diferença sonora entre eles, toque os três modos a partir da mesma fundamental. Você perceberá muita diferença entre eles. Cante os modos com e sem a ajuda do seu instrumento.

Procure também músicas nesses modos, para ganhar bagagem em informações melódicas.

Nas próximas postagens, falaremos um pouco mais sobre os modos, com mais dicas de criação de solos e também sobre os modos menores.

Boa diversão!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Como desenvolver potência na voz e ganhar timbre

Potência na voz na maioria das vezes é confundida com força e tensão e isso acaba levando à um grande cansaço vocal. Isso acontece porque as terminologias confundem e fazem crer que é preciso aumentar força e trazer apenas mais volume, sem levar em consideração que são vários os fatores que contribuem para uma voz mais potente e brilhante.

Se gravar, se ouvir e conhecer o próprio corpo e como ele trabalha na emissão da voz é fundamental para alcançar o resultado desejado.

Separe uns minutos no seu dia em um lugar calmo e sem distrações para fazer o seu treino com mais qualidade. É muito importante que você se concentre 100%, assim cada vez mais você vai conhecer a sua voz e como conseguir o que quer com ela.

Neste post, vamos falar um pouco e trazer muitas dicas de como você pode desenvolver a potência na sua voz e assim ganhar timbre e cantar com volume, mas sem esforço. Se você tiver paciência e persistência e treinar da maneira correta, você vai conseguir alcançar seus objetivos e ganhar muita técnica.

Musculação na academia x musculação vocal

Para começar, gostaria muito de colocar aqui a importância da constância nos estudos e disciplina. Isso tem muito a ver com o desenvolvimento do timbre da sua voz, pois as pregas vocais são músculos, como os músculos que são trabalhados em um treino de academia.

Se você treina em academia ou em casa, sabe da importância de dividir os grupos musculares e trabalhar cada um deles com uma certa frequência. Além disso, sabe que o peso colocado deve ser pequeno no começo e aumentado gradativamente. Também sabe que se ficar 1 mês sem treinar você perde massa muscular. Porquê com a prega vocal seria diferente?

Eu gosto de falar sobre isso porque muita gente tem certa pressa em ganhar timbre e ter a voz mais linda do mundo. Mas sem entender que o corpo precisa de tempo para realizar isso. É como se você quisesse ficar bombado em apenas 1 mês de academia.

A prega vocal após um tempo de estudo também vai ganhando massa muscular. E ela também se mantém se os treinos forem constantes. Você precisa estar sempre em boa forma. Caso contrário, se tentar cantar uma música complexa depois de muitos meses sem fazer sequer um aquecimento provavelmente vai ter problemas.

Então a dica aqui é manter sua rotina de estudos ativa. Fazer exercícios de forma consciente, com um objetivo de cada vez, sabendo o resultado que deseja obter. Como fazemos na academia.

De mês em mês mude um pouco os exercícios, para variar a rotina e deixá-la mais interessante, além do que isso fará você se desenvolver muito mais. Utilize exercícios que trabalham os mesmos conceitos, porém com pequenas diferenças.



Com a constância e os exercícios certos, a sua voz pouco a pouco irá ganhar timbre e o volume virá naturalmente.

Colocação da voz e o volume

A colocação da voz é um dos aspectos que mais devem ser trabalhados se você quer cantar com qualidade e sem machucar as suas pregas vocais. Como colocar a voz adequadamente?

Essa foi uma das questões que mais me acompanharam durante meu estudo. É que tudo faz parte de um conjunto de técnicas que juntas trazem o resultado ideal.

Mas, tentando isolar o fator colocação, isso tem a ver com manter a laringe estável durante a emissão da nota mais grave para a nota mais aguda e isso também traz um timbre mais encorpado, visto que evita as notas espremidas.

Você pode exercitar isso fazendo o exercício de "sugar o macarrão"(simulando estar sugando um fio de macarrão). Sinta o movimento da sua laringe. Você pode usar um espelho também para ver como está o movimento da sua laringe durante o estudo.

Com essa consciência, é interessante você passar um tempo estudando essa estabilidade da laringe enquanto canta as suas músicas. Veja se nas notas agudas não acontece da laringe subir e desestabilizar. Mantenha a laringe sempre estável.

Você vai sentir que as notas saem muito mais facilmente e sem aquele cansaço na garganta. Mas é preciso automatizar isso. Continue estudando até ficar automático para você.

Agora, vamos à mais um aspecto que, unido à estabilidade da laringe e a constância dos estudos, vai trazer muito mais volume e timbre na sua voz.

Apoio

O apoio é uma das técnicas que aparentemente criam mais confusão quanto à sua aplicação prática nos estudos de canto. Os estudantes veem a quantidade de possibilidades de montagem de apoio e acabam se perdendo.

O mais importante é escolher uma escola que seja natural para você e que ofereça o melhor em termos de estilo musical e performance.

A respiração com abertura de costelas é ideal para os cantores de ópera e musicais, mas se vê desnecessária para quem canta bossa nova, por exemplo.

Então, avalie a ferramenta mais ideal para o seu caso e se sinta à vontade para escolher o que achar melhor. O importante é ter conforto na hora de cantar.

O apoio vai ser bem importante como base para o próximo tópico, que é mais um dos pontos importantes para ter mais timbre e volume sem esforço.

Projeção

Cantar afinado pode ser um pouco difícil se você falhar na projeção da sua voz. A voz acaba soando desafinada, porque o som fica "caído" e tudo acaba desandando. Mas a solução é simples.

Projetar pode parecer difícil para alguns cantores que são mais tímidos e naturalmente têm a voz menos intensa. Mas a projeção equivocada não adianta muito, pois maltrata a voz e traz péssimos resultados.

Acontece que a confusão começa quando se pensa que se deve "gritar" para conseguir mais volume e intensidade na voz. Mas o que abordamos nos tópicos anteriores é diferente a isso.

Se você já tem uma certa constância nos estudos e uma boa colocação, além de um apoio natural para você, fica muito mais fácil trabalhar a projeção.

A única coisa a se fazer é cantar utilizando esses pilares importantes abordados nos tópicos anteriores e deixar a voz ressoar, de maneira que tenha volume, mas sem força e tensão. Mas isso acontecerá tranquilamente, se você já trabalhou os aspectos essenciais.

Um cuidado a ser tomado no entanto, é de manter a voz sempre "para cima", ou seja, sentir a vibração no nariz e na testa. Assim, você manterá a afinação e sonoridade muito melhor.

Isso pode parecer um pouco confuso, mas um exercício muito utilizado por professores de canto em todo o mundo (busque método Dalcroze) é você fazer movimentos corporais enquanto canta. Para manter a voz bem projetada, faça movimentos com as mãos apontando para cima enquanto está cantando.

Tenha atenção redobrada nas notas graves, que também devem soar para cima, se não, a afinação ficará muito comprometida.

Busque sentir tudo isso com o seu corpo.

Curso Os Pilares do Canto

Para finalizar, gostaria muito de te convidar a fazer o curso Os Pilares do Canto, curso maravilhoso onde aprendi muito e me trouxe grandes realizações como musicista, pois agora conheço a minha voz e sei como conseguir o que eu preciso com ela. Super recomendado, está com matrículas abertas por tempo limitado. Clique no banner abaixo para saber mais. Até a próxima!


quinta-feira, 26 de abril de 2018

3 estratégias práticas para cantar afinado

Hoje falaremos um pouco mais sobre uma das questões que trazem mais dúvidas aos cantores iniciantes e que, muitas vezes, sem o trabalho adequado, perdura por muito tempo.

Cantar afinado é complexo e demanda várias habilidades que são construídas ao longo do estudo. Muitos cantores parecem ter facilidade nesse aspecto, e quase não precisam praticar afinação, isso acontece provavelmente pela alta exposição que tiveram de música por muito tempo e, de maneira consciente ou inconsciente, desenvolveram uma boa percepção. Por outro lado, alguns cantores, apesar de um ouvido perceptivo, desafinam por falta de técnica.

Você já sentiu que tentava emitir uma nota, mas ela simplesmente soava mais grave? Se sim, é uma questão de técnica.

Ainda há os cantores que, pela pouca experiência com música, nem percebem se estão afinados, então não sentem necessidade de corrigir o problema, que, além de ser pelo fator de falta de percepção, poderá ser também pela falta de técnica.



Como saber se estou afinado?

Se você se encaixa no grupo dos que têm experiência com música, vai saber com facilidade. Mas será que você é afinado em todos os momentos?

Sempre tive facilidade com afinação, pois desde minha infância fui bombardeada com música por todos os lados, já que na minha família todos tocavam algum instrumento na igreja. A minha mãe, formada em piano erudito, também teve o cuidado de fazer um trabalho de musicalização desde que eu era bem pequena.

Mesmo assim, após alguns meses estudando canto, eu gostava de gravar vídeos para ouvir depois e percebi que, em alguns momentos eu desafinava. Estudando, vi que a postura e a respiração eram questões que influenciavam muito na afinação e comecei a trabalhar isso.

Além da postura, o que acontecia também é que eu deixava algumas notas passarem desapercebidamente, ou seja, cantava o que eu "achava" que ouvia.

Isso é quase imperceptível, mas, com o tempo e estudo eu comecei a perceber notas que eram mais curtas e em pequenas passagens e que eu não sabia ao certo qual nota estava emitindo, era como colocar no automático.

Quando o cantor tem pouca percepção, o ideal é ter uma ajuda, que pode vir de amigos que são músicos, de colegas ou mesmo de um professor, que saberá guiá-lo para que ele se desenvolva da melhor maneira possível. Ouvir muita música com consciência também ajudará. É necessário tempo para desenvolver o ouvido. Grave-se muito e pergunte a opinião sincera de seus amigos. Isso ajuda bastante. Evite deixar as coisas no automático, para que o estudo não seja em vão.

Vou apresentar 3 estratégias simples para você treinar a sua afinação. E são estratégias tanto para iniciantes como para avançados, pois sempre é bom se aprimorar e ganhar técnica!

#1- Imite as notas do teclado (iniciante ao avançado)

Estratégia para iniciantes

Para começar a exercitar seu ouvido, se você é inciante, você pode começar com exercícios simples no teclado. Toque uma nota na região central do teclado e a escute por alguns momentos. Não tenha pressa, escute de verdade a nota. Após algum tempo ouvindo a nota, tente reproduzir esse som. Veja se os dois sons estão combinando perfeitamente. Grave esse estudo e escute a gravação. Faça isso com várias notas de várias regiões por alguns dias, até ficar um exercício fácil.

Estratégia para intermediários/avançados

Para ouvidos mais desenvolvidos e experientes, um bom exercício é o exercício de intervalos. Se você não conhece teoria musical, estude um pouco sobre esse assunto, pois é muito importante e você o usará bastante na prática. O exercício é o seguinte: utilizando a escala de Dó Maior, toque a nota dó na região central do teclado e cante o intervalo de 2ª a partir desta nota. Depois de cantar, confira o som da 2ª, que no caso é a nota ré. Se tudo deu certo, vamos prosseguir, cantando agora o intervalo de 3ª a partir da nota dó. Confira o som da 3ª do Dó, no caso a nota mi. Faça isso com todos os intervalos a partir da nota Dó, mantendo-se na escala de Dó Maior, ou seja, sem usar ainda as notas alteradas (sustenidos e bemóis).

Esses exercícios propostos são bem simples e fáceis de colocar na prática, pois você pode fazer no seu teclado, no seu violão, na sua flauta ou simplesmente baixar um aplicativo de piano. Faça por apenas 5 minutos por dia, isso já é o suficiente para você treinar seu ouvido.

#2- Faça o desenho melódico da canção

Para cantar com afinação precisa, é necessário ter bastante consciência da melodia da música. Isso significa avaliar com mais calma o desenho melódico, ouvir com bastante atenção.

Há muitas canções que são conhecidas por todos e que são praticamente domínio público de tão ouvidas e cantadas por aí. Escolha uma destas para fazer este exercício.

Pegue o trecho mais popular da música e concentre-se em perceber como seria a música na partitura, mas de maneira simplificada. Apenas o desenho, as curvas. Se a melodia é ascendente, descendente, se há saltos de notas, etc. Você pode desenhar no papel um esboço e ir implementando. Mas faça com exatamente TODAS as notas do trecho. Não tenha pressa em fazer um desenho aproximado, faça com precisão.

O que você provavelmente vai notar é que, ali no meio, tinha uma nota que passou despercebida e que não estava tão clara para você.

Isso acontece porque, às vezes, nosso cérebro interpreta de maneira criativa o trecho da música e acabamos ouvindo algo como "um todo" e os detalhes saem do nosso campo de percepção.

Durante meu estudo percebi diversas vezes que algumas músicas que para mim já estavam muito manjadas de tanto ouvir, no final sempre tinha uma nota ou outra que saía porque eu usava a minha imaginação sem perceber. Então eu sempre cantava a música e quando escutava parecia horrível. Acontece que uma nota ou outra, por ser muito curta, não era a nota correta. Não estava exatamente desafinando, estava cantando outra nota que estava dentro da escala, mas não era a nota.

Faça o exercício do desenho melódico sempre antes de cantar suas músicas, vai ver que sua afinação vai melhorar bastante e você vai ganhar muita segurança.



#3- Identifique e corrija as notas desafinadas

Para começar a corrigir os problemas com afinação, faça sempre gravações de áudio ou de vídeo durante seu estudo. Se você ainda não consegue ter certeza da afinação, estude mais os exercícios de percepção propostos acima. Se você já tem o ouvido desenvolvido, você já pode se corrigir.
Ouça o áudio de maneira crítica e perceba os principais pontos de dificuldade.

Uma dificuldade que aparece com mais frequência na maioria das vezes é quando a afinação fica "caída". Ou seja, as notas que são mais agudas soam desafinadas para baixo, ligeiramente mais graves. Isso acontece por diversos fatores técnicos. Eu fiz um vídeo falando dos principais pontos que o cantor deve trabalhar para ganhar potência na voz e isso tem tudo a ver com a afinação também, pois se sua voz é fraca e sem brilho, você vai acabar desafinando sem querer.

Confira o vídeo aqui

Se você está começando, trabalhe um ponto de cada vez, para não ter dificuldades demais. Ou seja, comece trabalhando somente a respiração por algumas semanas, depois trabalhe a colocação por mais alguns dias, etc. Vá com calma para ter uma base sólida. Neste post eu falo um pouco sobre minha experiência e dou algumas dicas de como estudar canto de maneira mais eficaz. Confere lá!

E então, você conseguiu perceber qual a sua maior dificuldade para manter a voz afinada?

Você pode também pegar a partitura da música e tocá-la no teclado ou em outro instrumento de preferência sua. Toque a melodia lentamente e cante as notas com os seus nomes respectivos ( Dó Ré Mi), ao invés de cantar com a letra. Esse exercício vai trabalhar a sua memória de intervalos. Depois, toque apenas a primeira nota da melodia e continue cantando a continuação da melodia. Verifique a nota final da melodia com o teclado e perceba se você terminou igual. É muito importante, pois, muitas vezes caímos a afinação antes de terminar a melodia. Significa que você precisa trabalhar mais a sua técnica para manter a afinação. Sinta qual é a dificuldade, se foi falta de projeção, colocação inadequada, tensão, etc. Percebendo tudo isso, você vai se conhecer muito mais e irá desenvolver a cada dia sua técnica e afinação.

Aproveite poucos minutos por dia para fazer seus treinos de técnica, percepção e afinação. Não é necessário tomar muito tempo, o mais importante é a constância e consciência total do que está fazendo. Estude com calma, não fique ansioso quando encontrar dificuldades, procure se conhecer, conhecer o seu corpo e como ele está.

Exercite-se e faça alongamentos para manter o corpo relaxado e equilibrado, assim você terá resultados muito melhores!

Curta a nossa página do facebook para ver mais dicas sobre canto e música e bons estudos!


terça-feira, 10 de abril de 2018

Como eu desenvolvi a minha técnica vocal e dicas para você evoluir como cantor

Cantar melhor é um dos maiores propósitos do cantor iniciante ao cantor avançado, pois o aprimoramento é essencial, não importa a fase. Estudar canto é algo que envolve concentração e muito empenho, é necessário focar nas coisas certas para alcançar os objetivos.

Hoje quero dar algumas dicas que considero muito importantes, independente do nível de estudo, que vão te ajudar a aprimorar tudo o que você já conquistou com a sua voz, ou, mesmo se você ainda é iniciante total. Vamos lá!


Qualidade x exercícios x prática

Sempre que buscamos sobre técnica vocal, é comum encontrarmos muitas informações e dicas na internet, que costumam explicar um tipo de técnica ou colocação e passar exercícios. Até aí tudo bem.

O problema aparece quando não compreendemos bem como fazer o exercício e acabamos colocando-o na nossa rotina e fazendo todos os dias, porém sem a qualidade ideal, ou seja, com erros e vícios. Fazemos o exercício no piloto automático, com muito volume, sem a colocação ideal, etc.

Isso infelizmente pode fazer você perder tempo e ainda correr o risco de adquirir problemas vocais, se você não tiver conhecimento técnico suficiente. Você não gostaria de perder tempo com exercícios que não trazem resultados, certo? Mais abaixo você vai saber como escapar dessa armadilha, que não permite que você evolua. Mas, por enquanto, vamos prosseguir.

Além do excesso de informações, um ponto que muitas vezes passa desapercebido é a questão de como colocar isso em prática durante o treino das nossas músicas. Você já percebeu que fez um exercício apenas por costume e, depois, quando começou a passar o repertório, os mesmo defeitos ainda estavam presentes na sua voz? Ou então, tentou colocar em prática, mas não tinha ideia de como passar a sensação do exercício para a prática?

Comigo já aconteceu.

Há 6 anos, quando comecei a estudar canto de maneira mais séria e com disciplina, eu acreditava que apenas fazer os exercícios propostos, desenvolver o meu fôlego, aquecer a voz e treinar os vocalizes traria magicamente toda a técnica que eu precisava. Mas as coisas não foram tão simples assim.

Um aspecto que me trazia muita dúvida na época era a questão do apoio. Eu treinava diariamente a emissão do ar, aumentando gradativamente o tempo que conseguiria manter a expiração. Mas, ao mesmo tempo, trechos simples de algumas músicas eu não conseguia manter o ar até o final. Simples falta de consciência real do que estava fazendo.

E isso acontecia com os outros tipos de exercícios também, como, por exemplo, notas agudas que "milagrosamente" saíam em um exercício, desapareciam nas músicas e eu não entendia o porquê disso.

Como eu me resolvi, equilibrando qualidade x exercícios x prática?

Para filtrar os exercícios mais eficazes, é muito importante ter um objetivo. Quantidade não é qualidade aqui.

Comecei simplificando tudo. Escolhi um exercício e decidi colocar todo o meu foco nele até alcançar toda a consciência necessária para aplicá-lo na prática e ter os resultados nas minhas músicas. Não importava quanto tempo demorasse, eu ia entender tudo sobre o objetivo dele e ia desenvolver a percepção necessária para incorporar na minha técnica.

Mas eu fazia isso em ciclos. Exemplo> Durante 1 semana foquei no apoio, treinando as minhas músicas apoiando da maneira mais adequada, de acordo com os meus objetivos, porém, sem dar atenção às outras falhas que me incomodavam, como o excesso de ar na voz. Após esse período, escolhia focar em limpar a voz, trazendo mais sonoridade. Na terceira semana, colocava um outro ponto e estudava com muito afinco, procurando artigos científicos, vídeos, depoimentos de outros cantores, trocava figurinhas com amigos que cantavam, etc.

Depois dessa etapa, simulava que voltaria à "estaca zero", ou seja, ia estudar o conteúdo da primeira semana novamente, como se nada soubesse, buscando mais detalhes e outras formas de entender como o meu corpo produzia isso. Era como reaprender.

Cada vez que fazia esse processo, a coisa ficava mais clara e, aos poucos, fui descobrindo a propriocepção, que é nada mais que sentir o corpo, autoconhecimento.

Então, eu indico muito que cada  exercício seja um mundo de descobertas, que haja um total entendimento do exercício, para assim aplicá-lo à rotina.

Com esse treinamento, cada vez que tentava colocar em prática nas músicas, ficava mais fácil, pois eu estava realmente a par dos objetivos do exercício e dos meus objetivos também.

Foque em qualidade sempre, se você melhora 1 aspecto da sua voz, você já terá se superado e mais próximo dos resultados que você quer. Esqueça a ansiedade, a arte não tem pressa.

Vamos aprender a focar no que realmente importa, a música.

Agora sim: Deixe a coisa ficar automática


Depois que passei da etapa de laboratório com os exercícios, aos poucos, fui repetindo cada vez mais o que estava assimilado e as coisas começaram a ficar automáticas. Esse é o nível de domínio da técnica.

Com o domínio, ficava mais fácil sobrepor outras informações que, quando ainda estamos começando, ficam difíceis de ser pensadas ao mesmo tempo. Por exemplo: Estabilidade da laringe estava automática, então eu já podia focar no apoio, etc.

Outra dica que considero importante é a questão da ordem de tópicos no aprendizado do canto. Não vejo problema em ordens diferentes, o importante é a consciência total de cada tópico aprendido. Com algo realmente incorporado, você estará progredindo.

Quanto mais técnicas no automático, mais progresso. E sempre há maneiras de expandir as técnicas.

Divirta-se!

Aproveite cada momento do seu estudo, mesmo que esteja numa etapa cansativa ou massante, um dia você vai lembrar de como era difícil fazer o que você faz.

Para fechar, recomendo muito na sua jornada o curso Os Pilares do Canto, onde você terá passo a passo como desenvolver todo o seu potencial com a voz!

Até o próximo post!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Você sabe os 3 obstáculos que te impedem de evoluir como cantor?

Olá, cantor!

Alguma vez você já se sentiu sem criatividade para interpretar uma música? Ou então cansado de seguir os mesmos padrões em tudo o que você canta? Ou mesmo ainda sentindo que a música é sem graça, ou fácil demais?

Saiba que esses podem ser sintomas de estagnação e impedem a sua evolução como cantor. Se você quer entender um pouco mais sobre porquê isso acontece, siga conosco, que iremos compartilhar as nossas observações. Comente depois se isso já aconteceu e como você se sente sobre isso. Vamos lá!

Obstáculo #1
Ouço somente um estilo musical

Desde a infância somos bombardeados o tempo todo com diferentes estilos musicais, mas, por algum motivo escolhemos os que mais nos identificamos. Isso tem a ver com o ambiente em que vivemos e a sua manifestação cultural. Muitas vezes influência de um familiar ou amigo. A questão é que sempre temos as nossas preferências, mas é interessante procurarmos sempre por novas inspirações. E, no nosso caso, estilos musicais diferentes trarão informações e novas descobertas que podem nos ajudar muito na interpretação. 

É claro que podemos ser especialistas em um determinado estilo, como o gospel, por exemplo. Mas, se buscarmos estilos que conversem com os que estamos acostumados, podemos trazer elementos novos e muito interessantes, que contribuirão e muito para o nosso estilo pessoal.

Algumas sugestões para conhecer novos estilos musicais e enriquecer o vocabulário:

-Peça sugestões de artistas e bandas a seus amigos;
-Busque no google artistas referências de cada estilo musical;
-Procure música tradicional da sua região;
-Anote sempre as referências que você encontra em entrevistas, e procure ouvir esses artistas.

Como trazer os elementos para sua interpretação?

1-Escolha um estilo musical e escute por algumas semanas, tente absorver e entender o estilo.
2-Perceba os elementos mais importantes do estilo musical, o que realmente o caracteriza. Ex: ritmo, dinâmica, escala utilizada, técnica, etc.
3-Estude as músicas que você se identificar mais.
4-Acrescente alguns elementos que você aprendeu no seu repertório tradicional.

Obstáculo #2
Falta de atualização

Outra questão que acaba derrubando nosso desenvolvimento é a falta de atualização. Isso às vezes pode ser por conta de falta de oportunidade de estudo ou mesmo falta de tempo. 


Por um motivo ou por outro, é sempre importante procurar se aprimorar, buscando novas técnicas, novos conceitos, pessoas que possam nos ajudar a evoluir. Isso é essencial.

Isso pode parecer óbvio, mas muita gente por já ter concluído algum curso ou estudado por um tempo pensa já ter tudo o que precisa. Mas sempre podemos aprender mais. E os conceitos essenciais, aqueles que aprendemos no início são os mais importantes. Devemos tê-los muito bem firmados.

Para exercitar se você realmente sabe uma técnica ou um conceito, é interessante testar, tentar ensinar isso à um amigo, fazer uma explicação. Se for fácil, é porquê realmente internalizamos o conceito.

Algumas dicas para aprender coisas novas:

1-Faça um curso diferente. Aqui, recomendo o curso Os Pilares do Canto, que é um curso totalmente online, que você pode fazer de qualquer lugar do mundo e trocar informações com outros cantores. Porém, você pode e deve procurar cursos na sua cidade também, busque boas indicações.
2-Leia artigos científicos sobre voz. No google acadêmico, você encontrará vários para baixar.
3-Grave-se cantando e publique. Se você não se sentir confortável para publicar, só o ato da gravação fará você perceber detalhes a serem aprimorados na sua voz.
4-Cante em um coral. Se você faz parte de alguma comunidade que possui um coral aberto ao público, aproveite para participar, lá você vai aprender conceitos de leitura de partitura, percepção, harmonia e muito mais coisas que te farão evoluir muito.
5-Siga pessoas que trazem boas informações, bem como atualizadas. Essas pessoas te ajudarão a trilhar um caminho muito melhor.
6-Busque conteúdo gratuito. Na internet você vai encontrar muitas informações, mas, se você for iniciante, tem que tomar um pouco de cuidado para não se perder. Venha sempre aqui, que trarei boas informações para você.

Obstáculo #3
Falta de prática

A prática é uma das oportunidades mais importantes para evoluir e aprimorar as habilidades.  A falta dela te fará esquecer o que aprendeu e estagnar. Por isso, sempre que possível, devemos incluir nas nossas apresentações algo diferente, algo que aprendemos e ainda estamos implementando. 

Assim será mais fácil perceber o que deve ser ajustado e como melhorar, pois nos shows tudo fica mais claro. Peça feedback às pessoas que você confia e aceite as sugestões. Nunca se intimide se algo deu errado, tudo é uma experiência que, ao longo do tempo, te trará mais confiança.

Como ganhar prática:

-Cante para seus amigos e familiares;
-Sempre que aparecer uma oportunidade para se apresentar, arrisque, mesmo que seja fora da zona de conforto;
-Forme grupo com amigos, para que eles façam o acompanhamento para você;
-Improvise;
-Aprenda um instrumento de acompanhamento;
-Ofereça seu trabalho.




Para finalizar, gostaria de te recomendar que reavalie sempre se esses obstáculos estão te impedindo de evoluir e busque sempre o aprimoramento. Estude, estude e estude que você conseguirá realizar tudo!